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Tudo bem deixar meu filho chorando sozinho até que ele durma?

Antes de começar a escrever uma série de textos, queria poder contar aqui os motivos pelos quais eu decidi não trabalhar com choro sem a presença dos pais e espero que este conteúdo faça parte do seu repertório para que possa decidir com consciência o caminho que pretende seguir.


Se você me disser que você já deixou seu filho chorando sozinho, eu não o julgo. Se você está lendo este post, é porque de alguma maneira se conectou com o assunto e porque você quer o melhor para o seu filho. Minha intenção, é trazer informações e não culpa ou julgamento.


Voltando a pergunta...


Bom, ela não saiu da minha cabeça por algum tempo. Assim que comecei meu primeiro curso de Consultoria do Sono questionei, e MUITO, a necessidade de intervenções comportamentais que “ensinam” as crianças a dormirem sozinhas (acho que incomodei um tanto minha professora e colegas de classe com isso).


Decidi que deixaria a decisão para os pais, afinal eles, mais que ninguém, saberiam o que é melhor para o próprio filho. Só coloquei como regra que não trabalharia com extinção (fechar a porta do quarto da criança e só voltar no dia seguinte) ou com choro sem a presença dos pais por mais de 3 minutos. Eu enviaria diversas “metodologias”, eles escolheriam e eu daria as indicações de como seguir.


Masssss, não, aquilo não estava funcionando pra mim! Eu ia dormir pensando na possibilidade destes pais escolherem deixar seus filhos chorando.


Sofri por antecedência sim!


Meu instinto dizia que aquilo não era necessário, afinal nunca fiz isso com a minha filha e, mesmo assim, ela dormia a noite toda.


E aí apareceu meu único cliente que optou por deixar o filho chorando. Dois dias, por dois minutos. E esses 4 minutos partiram meu coração. Já havia encontrado um curso que me tocou bastante, seriam meses de estudos e um ano ou mais até a certificação, mas neste momento eu resolvi me inscrever.


Vamos então aos motivos:


1 - Em primeiro lugar, porque eu escolhi tratar o meu negócio a partir do coração de mãe e meu instinto materno não me deixa seguir adiante com choro sem presença de um adulto;


2 - Porque as experiências vividas nos primeiros anos de vida moldam o processo que determina se o cérebro de uma criança irá ser uma base forte ou fraca para todos os futuros aprendizados, mas também para o futuro comportamento desta criança - conforme apresentado em documentos desenvolvidos pela University of Warwick e Harvard University (abaixo listados);


3 - Porque bebês não tem a capacidade para regular suas emoções (Cozalino, 2010, p. 70). Para que uma criança consiga aprender a se auto-regular os pais precisam dar amor, conforto e serem responsivos, não importa a hora do dia (Hoffman, 2013);


4- Porque acordar com facilidade durante a noite também é questão de sobrevivência. Bebês pequenos precisam se alimentar e precisam estar aquecidos;


5 - Porque não gosto de soluções rápidas e de curto prazo. Precisamos acessar a raiz do desafio e propor mudanças que vão muito mais além do que imaginamos;


6 - Porque os treinamentos de sono normalmente precisam ser repetidos (Hadfield, 2017). Doenças, dentição, viagens, chegada de irmãos, troca de casa...Tudo acaba virando “motivo” para mais um treinamento;


7- Porque a falta de um apego seguro criado nesta fase, pode comprometer a autoestima e o sentimento de segurança (Almeida, 2011), tão necessário para um bom sono;


8 - Somado a isso eu acredito em conexão: Pais estão fisiologicamente conectados para responder o choro de seus filhos (Narvaez, 2011)! Qual é a mensagem que enviamos aos nossos filhos ignorando-os? Ainda não existem estudos que respondam com segurança sobre os efeitos a longo prazo para essa questão, mas já sabemos o suficiente sobre a necessidade de criar relacionamentos seguros. Não responder ao seu filho, pode ser um dos fatores para que este tipo de relacionamento não seja criado.


Vejam este vídeo que eu coloquei aqui embaixo, vale MUITOOOO a pena!


Enfim, foram muitos porquês. Nos próximos posts pretendo trazer pra vocês mais informações sobre as explicações que eu dei acima e muitas outras dicas que possam deixar vocês mais confiantes com o sono do seus pequenos. Se tiverem sugestões para posts mandem um email para renata.happynaps@gmail.com


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Até breve <3



Fontes:

Almeida, R. (2011). Afetividade e Desenvolvimento. Retrieved from http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_artigo.asp?id=554

Cozolino, L. (2010). The neuroscience of psychotherapy: Healing the social brain. New York, NY: W.W. Norton & Company

Bebomia. (n.d.). Module 02, Section 1: History of Sleep. Retrieved from https://www.bebomia.com

Harvard University. Retrieved from: https://developingchild.harvard.edu/resources/tres-conceitos-fundamentais-sobre-o-desenvolvimento-na-primeira-infancia/

Hoffman, J., Real Self­Soothing (It’s not what sleep experts say it is) (2014, February 14) Retrieved from https://uncommonjohn.wordpress.com/2013/02/14/the­real­self­soothing­its­not­what­sleep­experts­think­it­i s/

Navaerz, D. Parents Misled by Cry­It­Out Sleep Training Reports How to connect the dots on sleep training (2014, July 20)

University Warwick . (n.d.). Module 01: The human brain described. Retrieved from https://www.futurelearn.com/courses/babies-in-mind


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